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  •   7 min. de leitura

A vida está feita para ser vivida e o mundo para ser percorrido. E porque não optar por fazê-lo em solitário? A espanhola Maria Calvo, economista de formação e viajante por vocação, deve ter pensado em algo assim quando, exatamente há 3 anos atrás, decidiu deixar o trabalho, a sua cidade e a família para iniciar uma verdadeira aventura: viajar sozinha pelo mundo, sem pressa e sem data de regresso. Já percorreu 165.000 km, o equivalente a 4 vezes a circunferência da Terra, 17 países, mais de 300 cidades, aldeias, e traz milhares de recordações guardados na mochila.

Queres saber como o faz? Porquê e até quando?  Gostarías de partir numa aventura similar e necessitas conselhos e recomendações? Pois lê esta entrevista porque vale a pena… É bastante provável que quando termines de ler a história de Maria te entre uma vontade enorme de deixar tudo para trás e partir… Desfruta da aventura!

Maria calvo viaggio collage

Olá Maria. Quem és, onde estás e o que fazes neste momento da tua vida?

Olá! Tenho 36 anos e sou economista de formação e viajante por vocação. Escrevo desde Myanmar (antiga Birmânia), o destino mais recente nesta particular viagem pelo mundo. Há alguns anos decidi conhecer o mundo por minha conta, sem mais objetivos que desfrutar de cada momento e aprender sobre outras culturas. E estou nesse processo…

Há quanto tempo estás em viagem e quais são os paises que visitaste até agora? 

maria nepal cena

Estou em viagem desde o Verão de 2010. Parece muito tempo, mas a verdade é que estes 3 anos passaram a voar… O meu mapa do mundo, que podeis consultar no blog Gacela por el mundo, diz que já percorri 165.000 Km, algo como 4 vezes a circunsferência da Terra. A verdade é que viajo devagar. Gosto de desfrutar ao máximo de cada lugar que visito, pelo que até ao momento só tive tempo para explorar uma pequena parte de 17 países: Perú, Equador, Colômbia, Panamá, Costa Rica, Nicarágua, Estados Unidos, Canadá, Nova Zelândia, Austrália, Indonésia, Malásia, Singapura, Vietname, Myanmar, Egipto e Nepal. Quanto a cidades e aldeias, não poderia apresentar números exatos, mas tendo em conta os posts do meu blog e o meu mapa, rondarão os 300 (mais ou menos um lugar novo cada 3 dias).

Porque tomaste a decisão de partir?

Sempre tive a intenção de viajar de outra maneira, com mais tempo e levando as coisas com calma. No entanto, a minha intenção de pedir algumas semanas extra de férias sem salário ou de aproveitar para mudar de trabalho nunca funcionou, pelo que chegou um momento em que me dei conta de que ou me lançava ou nunca ia poder cumprir esse sonho. Por isso decidi deixar tudo para trás, pegar na mochila e partir. Inicialmente pensava ir apenas por um ano, mas quando chegou o momento de regressar ainda me faltava muito mundo por percorrer e a aventura estava a sair muito mais barata do que eu tinha previsto, pelo que decidi seguir caminho. E assim foi até agora…

everest stelle

Que é o que menos te agrada no estilo de vida “sedentário” ocidental?

Para começar, sempre me pareceu que passar 8 horas fechada num escritório em frente a um computador era perder o meu tempo… A tecnologia avançou a passos de gigante, mas ainda se exige que passemos o mesmo tempo a trabalhar como quando se escrevia com a máquina de escrever e as contas se faziam com a calculadora. Por outro lado, não gosto do consumismo excessivo que se apoderou das nossas vidas, em que tens que ter um telemóvel de último modelo, a roupa de tal marca ou o carro mais rápido do mercado… Tudo isto se torna ainda mais absurdo quando vais a países nos quais a gente não tem nada, mas continua a sorrir para a vida e onde não lhes custa partilhar o pouco que têm.

indonesia

E que te faz mais falta de Espanha? 

Além da família e amigos (que são uma parte do meu pessoal mundo ocidental), sinto falta de poder abrir a torneira e beber água de aí diretamente… Os duches com água quente também ocupam uma das primeiras posições desta lista. Enfim, pequenas coisas que te fazem a vida mais fácil…

Há alguma experiência, pessoa, ou um lugar que tenha ficado especialmente gravado na tua memória desde que começaste a viagem?

Tenho tantos momentos e pessoas que me impactaram que não sei se há espaço suficiente nesta entrevista… Em geral, o que mais me surpreendeu foi a generosidade da gente. Em todos os países onde estive fui bem tratada e sempre houve alguém que me ajudou de uma ou outra maneira. Sería impossível referir a todos os que se ofereceram para levar-me de um sítio a outro, que me convidaram para tomar um chá ou para comer. Em poucas palavras, esta viagem reforçou a minha confiança na bondade da raça humana.

maria egitto

Um dos momentos mais interessantes da minha viagem ocorreu no oásis de Bahariya, no Egipto, onde uma família me convidou para jantar e partilhei comida com as 2 mulheres do patriarca, as suas 3 filhas, 2 noras e 2 crianças (os homens e as mulheres comem separados). Só uma das filhas falava algo em inglês, mas isso não impediu que desfrutáramos do festim que tinham preparado para esse dia. Comemos todas sentadas no chão, partilhando os mesmos pratos, colocados encima de uma manta. Às vezes separavam uma parte da comida para mim…. As raparigas mais jovens estavam fascinadas com o meu cabelo curto, por não ter marido e por viajar sozinha.

Mas a maior surpresa chegou mais tarde, no momento de partir, quando vi estas raparigas “escondidas” debaixo de uma burka… Naturalmente, já tinha visto outras mulheres totalmente vestidas de negro antes, mas estas, com quem dancei e sorri antes, nunca as teria reconhecido na rua…

maria everest 1

Por outro lado, todos os sítios que visitei me pareceram especiais. Mas se tenho que destacar alguns, seriam as vistas do Everest desde o pico Kala Patthar, a 5.550 metros sobre o nível do mar, no Nepal; as ruínas de Choquequirão no Perú, onde chegas depois de uma caminhada de 2 dias (mais outro dia de regresso) e que não fica nada atrás do Machu Picchu; chegar até ao Círculo Polar Ártico, onde não cresce absolutamente nada; o arquipélago de San Blas no Panamá que é como o paraíso nas Caraíbas; desfrutar completamente sozinha dos templos de Abu Simbel no Egipto. Enfim… a lista é muito longa…

alaska

san blas

Outra das coisas que adorei foi estar em contacto com animais selvagens: baleias saltando ao lado do nosso barco no Equador; um puma na selva da Costa Rica; fazer mergulhos com tubarões-baleia na Austrália; passear em cima de um enorme elefante no Nepal; ver impressionantes orangotangos em Sumatra; uma manta gigante no Panamá; ursos grizzlies no Alasca… Apesar de ter que admitir que me assustei um pouco em alguns momentos, como quando estava acampada no parque nacional de Yellowstone nos Estados Unidos. Ao escutar um ruído fora da minha tenda e ao olhar para fora, vi uma mancha castanha. Eram 3 enormes bisontes que passavam a apenas 2 metros da minha porta. Ou quando uma manhã, no Alasca, me encontrei com um urso negro quando ia a caminho do WC do parque. Menos mal o animal estava distraído a comer um salmão porque eu não levava comigo o spray anti-ursos…

maria ecuador

orango

Tens um blog onde contas todas as tuas aventuras, Gacela por el mundo. Podes falar-nos um pouco deste projecto?

Inicialmente, comecei a escrever no blog apenas para a família e amigos. Principalmente para evitar ter que passar muito tempo a escrever emails a uns e a outros. Agora o blog continua a cumprir com essa função, mas entendi que para mim também é útil ter um diário digital das minhas viagens.

Aconselharias esta experiência (viajar sozinha durante muito tempo) a outras pessoas? Que conselhos podes dar às mulheres que queiram viajar sozinhas como tu?

Penso que viajar é sempre uma experiência positiva, mas fazê-lo com tempo e sozinha é ainda mais enriquecedor. Por um lado, estás mais aberta ao que acontece ao teu lado e não tens a pressa de ter que visitar tudo em 2 semanas. Podes parar e falar com os habitantes locais, entrar um pouco mais na cultura e na sociedade dos países que visitas. Por outro lado, tratam-te de maneira diferente quando viajas sozinha. Não sei se é por ser mulher, mas sempre senti que as pessoas queriam cuidar de mim de alguma maneira, fosse para parar o autocarro correto ou avisando-me sobre os bairros por onde não deveria caminhar sozinha.

myanmar

O principal conselho que dou às mulheres que queiram viajar sozinhas é que se aventurem e desfrutem. O mundo está cheio de gente. Nunca estás sozinha, a não ser que o desejes… E o mais importante: tudo é muito mais fácil no terreno do que parece desde casa…

Quais são os teus planos para o futuro?

Ainda não sei se é uma boa ou má decisão, mas regresso a Espanha daqui a 2 o 3 meses e a minha intenção é aproveitar tudo o que aprendi estes anos para ajudar outras pessoas a conhecer o mundo. O meu objetivo é criar uma página web com informação prática para viajar e, além disso, oferecer serviços personalizados para aquelas pessoas que necessitem uma ajuda extra para planificar as suas viagens.

CONSELHOS PRÁTICOS

Qual é, mais ou menos, o orçamento que se necessita para uma viagem como esta?

É um pouco difícil definir um orçamento global porque depende dos países que visites e do nível de comodidade com que queres viajar. No meu caso concreto, tentei compensar entre países baratos e caros (passei quase um ano em países desenvolvidos). Em total gastei uns 30.000 euros. Podes viajar por menos dinheiro e também por muito mais. Depende de cada um…

Preparas com antecedência as tuas deslocações ou decides no último momento?

rickshaw

Normalmente não decido com antecedência. Só quando tenho que viajar em avião ou pedir um visto. De acordo com a minha experiência, é melhor ir decidindo no caminho, porque sempre há motivos para mudar de ideias: um sítio que te surpreende e no qual queres ficar mais tempo, alguém que te recomenda um lugar fantástico que desconhecias…

Como te deslocas normalmente? 

Normalmente compro os bilhetes de avião entre um mês e 15 dias antes do voo. É suficiente para conseguir preços baixos e assim evitas ter que programar tudo com muita antecedência. Por outro lado, cada dia é uma aventura nova  ir de um sítio a outro. Creio que nestes anos utilizei todos os meios de transporte possíveis e imaginários, desde um burro até um camião do leite, passando por inumeráveis moto-taxi, autocarros de luxo e outros que se desfaziam, rickhaws, carrinhas de todos os tamanhos e cores, barcos grandes e pequenos…

Tens algum truque para poupar?

Normalmente, quanto mais devagar viajo, menos gasto. Gastas menos em transportes por dia e podes conseguir melhores preços no alojamento. Por outro lado, dá-te tempo para conhecer os preços locais e descobrir como visitar as atrações por tua conta. Sobre as coisas mais concretas: deves limitar o consumo de álcool, que em alguns países é bastante caro; comer nos mercados locais e nos postos de comida na rua em vez dos restaurantes para estrangeiros (além disso, a comida é muito melhor); tenta viajar por terra, que é mais económico que voar e utiliza os transportes públicos. Mas tudo depende também do país…

Boa sorte Maria!

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